Website do projecto Interior Éolico

Dedicado ao estudo de viabilidade de um parque eólico junto à aldeia de Cabeça em Seia e à tecnologia Eólica.

Notícias

Haja vento

O potencial eólico do mar português é quase ilimitado

A Comissão Europeia quer que 20% da energia consumida em 2020 nos 27 países da União seja obtida a partir de fontes renováveis – água, vento, sol e biomassa. O principal contributo, segundo alguns relatórios internacionais, deverá vir do aproveitamento hídrico e, acima de tudo, da energia eólica. Aliás, sobre esta matéria, especialistas europeus reunidos no passado mês de Dezembro em Berlim, na Alemanha, garantiram que se a União Europeia (UE) quiser atingir aquela meta terá que fazer uma aposta decisiva no aproveitamento dos ventos e, acima de tudo, dos ventos que sopram no mar.
A construção de parques eólicos «off-shore», ou seja, em mar aberto, é – ainda segundo aqueles especialistas – o único caminho possível, visto que, em território continental, o potencial começa a ficar esgotado. Os melhores locais de vento ou já estão a ser aproveitados ou, então, estão identificados e concessionados para exploração nos anos que se seguem.
No caso português, a potência eólica instalada atinge já os 2000 megawts (MW). No entanto, ao longo dos próximos seis a sete anos prevê-se que se chegue aos 6000 MW. A partir daí a capacidade em terra fica esgotada, a não ser que os Governos autorizem a construção de parques eólicos em reservas naturais e áreas protegidas ou ambientalmente sensíveis, o que não se prevê que venha a acontecer.
Excluída está também a hipótese de aproveitamento eólico em grande escala junto de povoações, devido ao forte impacto visual causado pelos aerogeradores. Basta lembrar a polémica já causada pela proposta do Bloco de Esquerda para colocar na cidade de Lisboa 15 aerogeradores no âmbito do evento ‘Wind Parade Lisboa 2008’.
“Mas se Portugal quiser continuar a apostar a energia eólica a alternativa, depois de 2015, será seguramente o «off-shore». Quanto a isso não restam dúvidas”, esclarece Ana Estanqueiro, directora da Unidade de Energia Eólica e dos Oceanos do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).
Esta responsável, considerada uma das mais reputadas especialistas em energia eólica a nível nacional, alerta, porém, para o facto de os custos da montagem de aerogeradores no mar serem “substancialmente mais elevados” que em terra. Se estivermos a falar de parques em águas pouco profundas, o acréscimo de custos é da ordem dos 10%. “Mas se formos para a modalidade de «deep off-shore» (até 200 metros de profundidade), os custos podem crescer até 70%”. A solução tecnológica adoptada para esta última variável não anda longe da lógica das plataformas petrolíferas. O aerogerador fica a flutuar, mas ancorado ao fundo do mar.
Esta solução, porém, “ainda não está suficientemente madura para ser aplicada em larga escala”, remata Ana Estanqueiro.
Para já, os parques «off-shore» que existem na costa de vários países do norte da Europa permitiram chegar a algumas conclusões importantes: “foi possível apurar, por exemplo, como se comportam os equipamentos em condições climatéricas e ambientais agressivas”, nota Rui Castro, da Área Científica de Energia do Instituto Superior Técnico.
Este professor e investigador no sector das energias renováveis diz que a Europa está a aprender com estas experiências e que vai continuar a apostar no «off-shore» mas agora com “prudência e visão”.
Outra das vertentes que começa a ganhar alguma expressão é a das eólicas em ambiente urbano. Ou através da microgeração, em que cada pessoa pode instalar microturbinas no telhado da sua casa, ou pela integração arquitectónica das eólicas nos próprios edifícios.
Ana Estanqueiro sublinha, porém, que acredita muito mais no sucesso da microgeração e que, pela parte do INETI, qualquer pessoa pode contar com a ajuda técnica que desejar sobre os ventos que sopram na sua área de residência. “Estamos tão empenhados em que isto corra bem que quase nos dispomos a fazer consultas pelo telefone. Pedimos as coordenadas às pessoas e dizemos-lhes o que devem fazer, tanto na escolha dos locais como dos equipamentos”.

1. Assentes no fundo do mar, em águas pouco profundas, ou construídas a partir de bases flutuantes, também elas ancoradas ao fundo do mar, as eólicas «offshores» são a próxima grande aposta
2. O maior aerogerador (138 metros) acaba de ser instalado em Emden, na Alemanha. Tem uma capacidade de produção de 6 a 7 megawatts e pode abastecer 5000 casas
3. As turbinas incorporadas em imóveis podem fornecer até 15% das suas necessidades energéticas
4. Ao nível da microgeração, há soluções tão inesperadas como a colocação de turbinas sobre auto-estradas para produzirem a energia que alimenta os postes de iluminação
5. Como o vento ao nível do solo não é constante, a solução pode passar pela colocação de turbinas a cerca de 300 metros de altitude; um enorme balão de hélio sustém a turbina que o envolve, de onde a energia gerada é depois enviada para terra

Vítor Andrade e Miguel Seixas/Who

Expresso Economia, Edição 1847, 21 de Março de 2008

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Perguntas e Respostas

Portugal é um bom exemplo em matéria de energias renováveis e eólicas em particular?

Nesta matéria, Portugal até já é apontado como um exemplo internacional, sendo mesmo um dos melhores ‘alunos’ de toda a União Europeia. Basta referir que em 2007 cerca de 39% da energia consumida no país foi produzida a partir de fontes renováveis (nomeadamente água e vento). No que respeita às eólicas, aliás, Portugal integra já o grupo dos 10 principais produtores a nível mundial, tendo registado o segundo maior crescimento neste domínio entre 2005 e 2006 (68%). À frente, em termos de crescimento, posicionaram-se «ex aequo» China e França (com 107%).

Se Portugal decidir apostar nos parques eólicos em mar aberto, qual é o limite em termos de exploração?

Em águas pouco profundas, até 20/30 metros, a potência estimada é de 6000 megawatts, tanto quanto se vai obter em território continental enquanto não se esgotar o potencial. Caso se avance para o chamado «deep-off-shore», ou seja, parques eólicos em águas profundas (até 200 metros), a capacidade da costa portuguesa é quase ilimitada. Na prática pode-se gerar a potência eólica que se quiser.

Quantos países exploram já parques eólicos «off-shore» e quantos pretendem apostar nessa alternativa?

A nível europeu, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suécia e Dinamarca têm já instalos um total de 1083 megawatts. A Bélgica está a construir o seu primeiro parque eólico «off-shore» e a França pode ter também o seu primeiro projecto já em 2009. Espanha, Irlanda e Itália estão a estudar o assunto. Portugal está a avaliar o potencial eólico a partir de uma torre de ensaios instalada nas Berlengas.

Vítor Andrade

Expresso Economia, Edição 1847, 21 de Março de 2008

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Energia eólica na frente

Nos últimos anos a energia eólica tem vindo a ser a única energia renovável com um real desenvolvimento em Portugal.
Nos últimos 4 anos, passamos de 175 MW de potência instalada (em 2002) para 1.151 MW (em Março de 2006), o que representa actualmente 711 geradores, distribuídos por 112 parques eólicos.
Não admira por isso, bem perto de Lisboa, na zona Oeste, as turbinas eólicas saltam logo à vista, até do mais distraído.
Esta proliferação, que apesar de tudo já está atrasada, deve-se no essencial às perspectivas económico-financeiras que representam a conjugação de vários factores macroeconómicos: por um lado o preço do petróleo não dá sinais de descida, pelo contrário, assiste-se novamente a uma escalada do preço do ouro negro, e por outro lado, o valor de remuneração do Kilowatt de energia eléctrica produzida nos parque eólicos, estabelecido com a finalidade de atingir os 39% de energia eléctrica com fonte nas renováveis, favorece o retorno do investimento, VAL, TIR’s e outros indicadores.
Noutra vertente técnica, as turbinas eólicas são cada vez são maiores, mais eficientes e mais baratas.
Assim a energia eólica afigura-se como a primeira energia renovável competitiva face a outras fontes convencionais de produção de energia, não obstante com alguns inconvenientes, como a irregularidade na produção, a localização de locais com bons recursos de vento em locais protegidos, etc..
De facto a energia eólica não é a panaceia para todos os problemas da actual necesidade energética nacional. Esta fonte de energia, actualmente apenas representa cerca de 20% da energia eléctrica produzida, e relembrando que o consumo eléctrico nacional (energia final) é cerca de 20%, fazendo contas, na globalidade a energia eólica apenas aporta cerca de 4% para os consumos de energia final. Mesmo no melhor dos cenários em que são instalados cerca de 5.000 MW eólicos até 2010, a energia eólica nunca ultrapassará os 15% da energia final necessária. Isto sem ter em conta o crescimento dos consumos.
Na realidade a energia eólica não é a solução única, faz sim parte de uma solução composta que começa por gastar menos (eficiência energética) e produzir ‘melhor’, com recursos a fontes diversificadas: eólica, biomassa, solar, gás natural, hídrica, etc., assim como investir em novas formas de mobilidade: o automóvel de motor de combustão já tem cerca de 100 anos, já é hora de ‘produzir’ novas soluções, mais baratas e realmente eficientes energeticamente!

http://opiniao.energiasrenovaveis.com, 21 de Julho de 2006

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Energia: Portugal tem já 7.474 megawatts de capacidade renovável

Portugal atingiu, em Fevereiro, 7.474 megawatts (MW) de capacidade total instalada para produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis, segundo os dados publicados hoje pela Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG).

O aumento de potência instalada verificado no final do mês de Fevereiro, relativamente a Janeiro, deveu-se à entrada em funcionamento de um novo parque eólico e de duas novas centrais, uma minihídrica e outra fotovoltaica.

Apesar deste aumento, a produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis desceu 48 por cento em Fevereiro, face a igual mês do ano anterior, devido à fraca pluviosidade e ao decréscimo muito significativo registado nas produções das bacias do Tejo, Douro, Cavado e Lima.

A produção de Fevereiro deste ano, quando comparada com a registada em igual mês de 2007, baixou de 2,04 tera-watts/hora (TWh) para 1,05 TWh.

Contrariamente, a produção eólica, nos dois primeiros meses deste ano, subiu 39 por cento face a igual período de 2007.

Em Fevereiro, a produção foi 22 por cento superior à registada no mês homólogo do ano anterior.

A potência eólica instalada no final de Fevereiro de 2008 situava-se em 2 170 MW, distribuída por 155 parques, com um total de 1 169 aerogeradores ao longo de todo o território Continental.

Até Fevereiro deste ano, a DGEG já licenciou cerca de 9.073 MW de instalações electroprodutoras a partir de fontes renováveis, o que significa um acréscimo de 21 por cento relativamente à potência instalada actualmente.
Lusa, 21 de Abril de 2008

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A aposta nas renovavéis

A região Oeste foi pioneira nas eólicas em Portugal e acolhe já perto de um quarto da capacidade instalada a nível nacional.

Para se ter uma ideia da importância que hoje já têm as energias renováveis na zona Oeste, basta percorrer alguns troços da auto-estrada A8, especialmente se nos deslocarmos de Sul para Norte.
Os parques eólicos sucedem-se no topo de vários montes, não muito elevados, mas com uma exposição aos ventos marítimos considerada das melhores a nível nacional.
Ana Estanqueiro, do INETI, uma das maiores especialistas em energia eólica em Portugal, explica que a grande vantagem está no facto de muitas das elevações serem suaves, o que permite um aproveitamento excepcional dos ventos vindos do oceano. O rendimento eólico da região é superior a 3000 horas de vento por ano, algo que, a nível nacional, só é suplantado na serra de Monchique.
O primeiro parque construído na região data de 1999, no concelho de Mafra. Actualmente já existem mais de 400 megawatts de capacidade instalada a nível eólico, cerca de um quarto do total nacional. O investimento neste domínio ascende já a 250 milhões de euros. Regra geral os parques eólicos foram bem aceites pelas populações, que aliás recebem, através das câmaras municipais, algumas contrapartidas financeiras. O problema é que dado o facto de estarmos a falar de uma região densamente povoada e de os montes onde há parques instalados não serem muito elevados, os aerogeradores acabam por ficar muito próximos dos povoados, o que acaba por ter um impacto visual considerado excessivo.
Em matéria de renováveis, a zona Oeste é ainda apontada como muito rica em exposição solar, bem como em potencial aproveitamento da energia das ondas. Em Peniche estão já a ser desenvolvidos vários projectos para o aproveitamento da energia oceânica e acaba de ser criada uma zona-piloto para este efeito frente a São Pedro de Moel, quase no limite geográfico da região Oeste.

Vítor Andrade.
Expresso, Economia, Edição 1839, Economia Expresso

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Renováveis no Orçamento de Estado 2008

Já é mesmo definitivo:
“Artigo 85.º
[…]
2 – São igualmente dedutíveis à colecta, desde que não susceptíveis de serem considerados custos na categoria B, 30 % das importâncias despendidas com a aquisição de equipamentos novos para utilização de energias renováveis e de equipamentos para a produção de energia eléctrica e ou térmica (co -geração) por microturbinas, com potência até 100 kW, que consumam gás natural, incluindo equipamentos complementares indispensáveis ao seu funcionamento.

[…]

http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/93CAFB60-3200-46FC-A2C4-A32AF40DE7D0/0/Lei_OE_2008_Aprovada.pdf

Só falta agora “the will to pay” ( vontade de pagar ).

João Saraiva

http://opiniao.energiasrenovaveis.com, 31 de Dezembro de 2007

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Superada a meta europeia para estas fontes de energia para 2010, renováveis representaram 40 por cento do consumo de electricidade nacional em 2007

http://ultimahora.publico.clix.pt/imagens.aspx/222170?tp=UH&db=IMAGENS

O país vai depender cada vez menos das grandes centrais hídricas, face ao crescimento de fontes como a energia eólica

A electricidade de origem renovável representou 39,7 por cento dos consumos nacionais em 2007, superando a meta europeia de 39 por cento para 2010, revelou ontem a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

Este valor deveu-se “à crescente importância que a electricidade renovável independente tem vindo a ter, ultrapassando os 13 por cento em 2007”.

Segundo o comunicado da APREN, o país vai depender cada vez menos das grandes centrais hídricas, face ao crescimento de outras fontes, como a energia eólica. O ano que passou foi, segundo dados da REN – Redes Energéticas Nacionais, muito seco.

Com a produção de electricidade de origem renovável evitou-se a emissão para a atmosfera de 9,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono, um dos gases com efeito de estufa.

“Estaremos no bom caminho, aumentando a nossa sustentabilidade ambiental e a independência energética do país, desde que as políticas para o sector – designadamente as tarifárias ou procedimentos no licenciamento – não venham a comprometer o actual ritmo de investimento”, considera a APREN.

PUBLICO, 11 de Janeiro de 2008

 
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